São Bento convite

 

Solenidade de Nosso Pai São Bento   

Homilia proferida por Dom Murilo Krieger

          Não sou especialista em São Bento, nem na espiritualidade beneditina. Não venho aqui para ensinar,

     mas para testemunhar: O que um não beneditino aprende de São Bento?

          Resumo meus pensamentos em dez pontos:

          1. Espírito de acolhida: Chegou o hóspede, chegou Cristo! Como é importante esse ensinamento

     de São  Bento, num mundo e numa época em que as pessoas tendem a olhar o estranho,

     o diferente, como inimigo!

          2. O valor do silêncio: Falamos demais; nos agitamos em excesso; estamos contaminados pelo vírus

     da ação, julgando que, assim, somos mais eficazes. Que visão pobre, a nossa!

          3. Equilíbrio entre a oração e o trabalho. O Ora et Labora gera equilíbrio, evita fundamentalistas e nos

     ajuda a evitar a preguiça e o acomodamento.

          4. A importância do Ofício Divino. Através dele, antecipamos a eternidade, onde louvaremos o SENHOR

     por sua grandeza e santidade.

          5. O valor do estudo. Graças a ele, nasceram as primeiras universidades no mundo. Ele nos incentiva a,

     pelo estudo, dominar o mundo, segundo a ordem do Criador.

          6. O cultivo da presença de Deus. Como precisamos viver na certeza de que Deus nos olha sempre,

     que nos acompanha por amor.

         7. O sentido da obediência. Hoje, todos querem ser reis; os reis querem ser deuses; Deus se fez

     homem, obediente até a morte, e morte de cruz.

         8. O valor da humildade. Quando reconhecemos nossa verdade, nossa realidade, abrimos espaço

     em nosso coração para a ação de Deus. Nasce a paz no coração.

        9. Uma espiritualidade baseada na liberdade do espírito. Quando a alma está livre de todo apego,

     está em condições de voar para Deus.

      10. O amor a Jesus Cristo. Penso que ele bem poderia assumir como seu o testemunho do apóstolo

     Paulo:   “Uma coisa, porém, faço; esquecendo o que fica para trás, lanço-me para o que está à frente.

     Lanço-me em direção à meta, para conquistar o prêmio que, do alto, Deus me chama a receber,

     no Cristo Jesus” (Fl 3,13-14).

                                                                     Mosteiro do Salvador

                                                                Salvador, 11 de Julho de 2016