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Vocação
21.01.2011 | Categoria:
O chamado à vida monástica consiste, segundo a Regra de nosso Pai São Bento, “à procura de Deus” (RB 58,7). Mas, alguém pode dizer: eu procuro a Deus. Sim.Todo cristão busca a Deus. Contudo, a procura de Deus na Regra de São Bento é marcada pelo seguimento radical de Cristo.
Quando alguém se apresenta à vida monástica, S. Bento diz: “não se lhe conceda facilmente a entrada, mas, como diz o Apóstolo: ‘Provai os espíritos se são de Deus’. Portanto, se aquele que vem perseverar batendo à porta… e persistir no seu pedido, permita-se-lhe o ingresso” (RB 58, 1-4).

A perseverança é um dos elementos indispensáveis para a vida, sobretudo para a vocação monástica beneditina, que se abre se não por um estreito início (Cf. RB Prol. 48). E, se alguém, desejoso de abraçar a vida monástica, discerne consigo mesmo seguir o Cristo neste estilo de vida, deve procurar cada vez mais uma vida de intimidade com Deus, para que seus ouvidos estejam sempre abertos aos apelos do Senhor, que fala: “ ’Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações’. E também aquele que tem ouvido para ouvir, ouça o que o Espírito diz às Igrejas’. E o que diz? ‘Vinde, meus filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor. ‘Correi enquanto tiverdes a luz da vida, para que as trevas da morte não vos envolvam” (RB Prol.10-11).
A vida monástica, como pode ser percebida na Santa Regra, é dinâmica, nunca estática. Seu dinamismo envolve a todos que se apresentam a ela, a tal ponto de serem convocados a entrar na “escola do serviço do Senhor” (RB Prol. 45).
Eis o dinamismo proposto no prólogo da RB, expresso através dos verbos de ação: “escutar”, “inclinar o ouvido”, “renunciar”, “empunhar as gloriosas e poderosíssimas armas da obediência”, “combater”, “empreender algo de bom”, “levantar”, “correr”, “afastar-se do mal”, “ procurar e seguir a paz”, “cingir os rins”, “glorificar o Senhor”, “militar”, “cumprir”, “corrigir os vícios”, “não fugir”, “progredir” “participar dos sofrimentos de Cristo”, “merecer estar com Ele” (cf. RB Pró).
As expressões acima mencionadas, carregadas de conteúdo cristológico, estão estruturadas dentro do seguimento de Cristo que se fez obediente à vontade do Pai. Como relata o evangelista João: “Não vim fazer a minha vontade, mas a d’Aquele que me enviou”(Jo 6,38). E atesta São Bento no terceiro grau da humildade: “Por amor a Deus se submeta o monge ao superior com inteira obediência, imitando o Senhor, de quem diz o Apóstolo: ‘fez-se obediente até a morte” (RB 7, 34).
A monja (o monge) sempre vai ser aquela pessoa atraída e fascinada pela busca de Deus. Busca de Deus regida pelo caminho da obediência, mas radicalizada no compromisso batismal. No dizer de Pascual, na vivência do batismo.
Portanto, (…) este mistério se realiza em Cristo e na Igreja. Batizar-se é aceitar Cristo e ser aceito por ele, é identificar-se com ele e com o que ele se identifica; é incorporar-se – começar a formar um só corpo – com Cristo (…). (PASCUAL Augusto, 1994 CIMBRA p. 11)
Por conseguinte, a vida monástica assenta sua base na gênese da vocação cristã, na vivência do batismo, “radicalizar até as últimas conseqüências alguns aspectos essenciais a este compromisso” (PACUAL p.11).
O monaquismo representa uma resposta generosa á comum vocação cristã. Lançar-se nesta grande aventura é colocar toda a esperança Naquele que se dignou contar-nos no número dos seus (cf. Pro. 6). Assim, “cingidos, então, os nossos rins com a fé e com a observância das boas ações, e conduzidos pelo Evangelho, andemos por seus caminhos, a fim de que mereçamos contemplar Aquele que nos chamou para o seu Reino”; (RB Pro 21) “…de modo que não nos afastando jamais de sua doutrina e perseverando no mosteiro até a morte, sob os seus ensinamentos, nos tornemo-nos dignos de participar dos sofrimentos de Cristo, por meio da paciência, para que mereçamos estar com Ele no seu Reino, Amém” (RB Prol. 50). O dinamismo espiritual da vocação monástico será sempre um caminho de desafio, de descoberta, de desvendar o mistério de Deus na nossa vida.
Em suma, eis o caminho que Deus propõe àquelas e àqueles que se sentem chamadas (os) a uma vida de entrega mais radical no seguimento de Cristo na vida monástica.
Artigo imprimido de: Mosteiro do Salvador
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